Alentejo: Liga para a Proteção da Natureza alerta para a “necessidade de dar continuidade à conservação do abutre-preto”

Abutre-Preto em vias de extinção no Alentejo

Celebra-se, hoje, o Dia Internacional dos Abutres que anualmente se assinala no primeiro sábado de setembro.

Nesta efeméride, por todo o mundo, comemora-se a importância da conservação destas aves, vitais para os ecossistemas, e alerta-se a sociedade para as sérias ameaças que as mesmas enfrentam.

A Liga para a Protecção da Natureza (LPN) e a Herdade da Contenda celebram esta data fazendo o balanço de mais uma época de reprodução do abutre-preto, a espécie de abutre mais ameaçada de Portugal, no sudeste do Alentejo.

De acordo com a Liga, “em 2020, nidificaram dez casais de abutre-preto no sudeste do Alentejo, na Herdade da Contenda, tendo-se assim consolidado o seu restabelecimento na região”, acrescentando que “este número representa atualmente cerca de um terço dos casais existentes em Portugal. Três destes casais conseguiram criar com sucesso, dando deste modo continuidade à recuperação desta ave no Sul do país.”

Dos 10 casais de abutr-preto do sudeste do Alentejo, “oito desses casais conseguiram fazer postura de um ovo (como é característico da espécie), dos quais nasceram seis crias. Embora três destas crias não tenham sobrevivido (uma delas devido a queda do ninho e as outras por causas desconhecidas, provavelmente devido ao calor extremo durante o seu desenvolvimento), três, todos machos, ultrapassaram já os três meses de idade, estando nesta fase prestes a deixar os seus ninhos com sucesso”, revelou a LPN.

A organização alerta para a “necessidade de dar continuidade aos esforços de conservação dirigidos ao abutre-preto de forma a aumentar a sobrevivência e sucesso na reprodução. Em particular salienta-se a necessidade de um acompanhamento mais próximo da reprodução e a intervenção em períodos críticos do desenvolvimento das crias, nomeadamente durante os picos de calor e de escassez de alimento.”

“Os abutres são extremamente importantes para manter a sanidade dos ecossistemas, estando, no entanto, em risco de extinção em Portugal e sujeitos a diversas ameaças à sua sobrevivência, a maioria de origem humana, de onde se destacam o envenenamento e a escassez de alimento”, explicou ainda a LPN.