Numa altura em que muito se fala da falta de recursos humanos em vários sectores da economia, o delegado Regional do Alentejo do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), Arnado Frade, afirma que se não se atraírem mais pessoas a vir trabalhar para o Alentejo “muitos dos projetos previstos não avançarão”.
Arnaldo Frade falou a’ODigital na semana em que se assinalou o Dia Mundial do Turismo, um sector com carência de recursos humanos.
Arnaldo Frade começou por explicar como atualmente os desempregados inscritos são chamados a possíveis ofertas de emprego, referindo que “convocamo-los e através de uma sessão de informação coletiva damos a conhecer aquilo que são as várias possibilidades de formação e de emprego para que cada um, em função das suas ambições, possa perceber o que tem ao dispor”.
Relativamente à formação, o Delegado regional revela que “este ano já envolvemos 12.000 formandos até agora em formação profissional, cerca de 800 na área do turismo e restauração e fazemos isso com o objetivo de qualificar as pessoas para que elas, ao transitarem para o mercado de trabalho, possam ir mais conhecedoras e mais capacitadas.”
Apesar das várias ações realizadas pelo IEFP, Arnado Frade admite que “há problemas diversificados, que têm que ver com a transição para o mercado de trabalho, nomeadamente ao nível das condições de trabalho”.
Apontou como outro dos problemas para atrair pessoas para o Alentejo, a “rede de transportes, pois se o posto de trabalho foi longe do local de residência o trabalhador precisa de uma boa rede de transportes e muitas vezes essa rede não existe e quando existe, não é compatível, designadamente com horários de certos empregos”.
Outros dos problemas apontado pelo responsável é a “falta de equipamentos complementares, ou seja, um trabalhador que não tenha onde deixar os filhos enquanto vai trabalhar, é outro dos problemas a juntar aos transportes e aos baixos salários, portanto, há aqui um conjunto de problemas que não ajuda a que seja fácil transitar para o mercado de trabalho.”
De forma a melhorar todos os fatores referidos e a atrair pessoas para o Alentejo, o Delegado Regional do IEFP refere que “é preciso que nos juntemos todos, para que cada entidade, em função da sua área competência, dê o seu contributo e ajude a resolver os problemas em função da nossa área de competência”, lembrando que “as instituições públicas não podem ter uma intervenção genérica, só podem agir na sua área legal de competência.”
“A área legal de competência do IEFP é qualificar pessoas e é colocar em contacto a oferta e a procura, ou seja, aqueles que precisam de preencher um posto de trabalho e aqueles que estão desempregados e querem uma colocação”, frisou Arnado Frade, garantindo que “estamos a fazer o nosso trabalho, temos uma capacidade alargada em termos financeiros, porque temos um orçamento na ordem dos 40 milhões de euros para as políticas públicas na área de emprego e formação na Região Alentejo e, portanto, digamos que continuaremos a fazer o nosso trabalho.”
O responsável salientou que “continuaremos a sensibilizar as pessoas para a importância da qualificação, pois, dos 13.000 desempregados que temos, 1943 são estrangeiros, sendo que 900 deles estão no Alentejo Litoral, 80 % desses 900 estão em Odemira e 80% dos de Odemira estão em São Teotónio e, portanto, há ali uma realidade muito própria e se pensarmos que temos apenas 3000 jovens inscritos com menos de 29 anos, e se depois olharmos para todos investimentos de que ouvimos falar em todo o Alentejo claramente ou temos uma captação de novos residentes nacionais e não nacionais, ou então muitos dos projetos não avançarão, porque não há recursos humanos para fazer face a essas essas necessidades e desafio é receber pessoas de outros países.”
“Já propus que nos organizaremos à volta da mesma mesa, cada instituição com a sua área de competência, incluindo as instituições privadas, no sentido de cada um assumir a sua responsabilidade e penso que é o caminho certo”, concluiu.

















