O Alentejo é uma das regiões do país onde o consumo problemático de canábis assume maior expressão, tanto na população geral como entre os consumidores, segundo o estudo «Consumo Problemático de Canábis 2025», divulgado pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD).
De acordo com os dados relativos à população residente entre os 15 e os 74 anos, a prevalência de consumo em quatro ou mais vezes por semana nos últimos 12 meses é mais elevada no Alentejo (0,8%), acima da média nacional. Também o consumo diário ou quase diário nos últimos 30 dias apresenta na região um dos valores mais altos do país (0,7%).
Alentejo lidera entre os consumidores
Quando analisado o grupo específico de consumidores de canábis, o Alentejo destaca-se face às restantes regiões. Entre os que consumiram nos últimos 12 meses, 56% referem consumo quatro ou mais vezes por semana, o valor mais elevado a nível nacional.
No consumo diário ou quase diário nos 30 dias anteriores ao inquérito, 51% dos consumidores alentejanos indicam esse padrão, superando as restantes regiões. No indicador de consumo de risco moderado ou elevado, 41% dos consumidores no Alentejo enquadram-se nessa categoria, com 34% a situarem-se especificamente em risco elevado.
Quanto à dependência, 41% dos consumidores no Alentejo apresentam um padrão classificado como dependência, valor apenas ligeiramente inferior ao registado na região de Lisboa (43%).
Dependência atinge 55 mil pessoas em Portugal
A nível nacional, o estudo estima que cerca de 55 mil pessoas, entre os 15 e os 74 anos, apresentam um padrão de consumo que configura dependência de canábis, o que corresponde a 0,7% da população residente. Entre os consumidores recentes, a proporção com padrão de dependência é de 29%.
O documento indica ainda que existem pelo menos 50 mil pessoas em Portugal com um padrão de consumo mais intenso e potencialmente problemático.
Regiões com maior prevalência de dependência
Embora o Norte seja a região com maior percentagem de pessoas a declarar consumo de canábis, não é onde se verificam os padrões mais intensos. O estudo refere que Lisboa e o Alentejo apresentam, percentualmente, maior prevalência de dependência.
No total de inquiridos, a prevalência de dependência é de 0,7% no Alentejo, valor próximo do registado em Lisboa (0,9%).
Cobertura do tratamento mantém-se nos 6%
O relatório analisa ainda o grau de cobertura do sistema público e licenciado de tratamento especializado. Em 2022, apenas 6% das pessoas estimadas com dependência de canábis estavam em tratamento em Portugal Continental.
Segundo o ICAD, esta taxa mantém-se inalterada desde 2017.
O estudo baseia-se em inquéritos epidemiológicos nacionais, incluindo o Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral 2022 e outros levantamentos realizados em populações específicas, como jovens, estudantes, população prisional e jovens internados em centros educativos.



















