O Alentejo apresenta carência de docentes em cinco grupos de recrutamento, abrangendo desde a educação pré-escolar ao ensino secundário, segundo dados apresentados esta terça-feira, 29 de setembro, pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.
A informação consta da apresentação realizada durante a sessão de encerramento da apresentação pública do relatório anual Education at a Glance 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que decorreu no Teatro Thalia, em Lisboa. A edição deste ano do relatório da OCDE dedica atenção específica à escassez de professores e às respostas adotadas pelos diferentes sistemas de ensino.
No caso do Alentejo, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação identifica entre os grupos de recrutamento com maior carência a Educação Pré-escolar, o Ensino Básico do 1.º Ciclo, Português do 2.º Ciclo, Português do 3.º Ciclo e Secundário e Matemática e Ciências da Natureza do 2.º Ciclo.
Os dados apresentados permitem identificar diferenças territoriais nas necessidades de contratação de professores. O próprio documento destaca que as vagas por preencher nas escolas públicas não se distribuem uniformemente pelo território e que as médias nacionais podem ocultar concentrações da falta de docentes em determinadas regiões e estabelecimentos de ensino, apontando para a necessidade de respostas ajustadas às realidades locais.
66% dos docentes têm mais de 50 anos
A apresentação de Fernando Alexandre enquadrou estas necessidades regionais num cenário de envelhecimento da classe docente. De acordo com dados do Recenseamento da Direção-Geral da Administração Escolar, relativos a dezembro de 2024 e abrangendo 127.580 professores dos quadros e contratados, 66% dos docentes tinham mais de 50 anos.
O Ministério aponta ainda para cerca de quatro mil aposentações por ano e refere que aproximadamente 20% dos professores têm mais de 60 anos. O sistema público contava, no ano letivo de 2025/2026, com 809 unidades orgânicas e 5.221 escolas, enquanto o número de docentes rondava os 120 mil.
As projeções apresentadas pelo Governo, baseadas num estudo de diagnóstico das necessidades docentes elaborado pela NOVA School of Business and Economics, estimam que será necessário recrutar cumulativamente cerca de 20 mil professores até ao ano letivo de 2029/2030 e 39 mil até 2034/2035.
Governo prepara novo modelo de recrutamento
A apresentação abordou igualmente o novo modelo de recrutamento e colocação de docentes. O sistema previsto assenta em dois procedimentos: um concurso interno e externo anual, destinado às vagas permanentes, e um procedimento em contínuo para necessidades temporárias surgidas ao longo do ano letivo. Neste último, estão previstas colocações diárias de acordo com prioridade, graduação e preferências dos candidatos.
O Governo já tinha anunciado que o novo modelo de recrutamento entrará em funcionamento no ano letivo de 2027/2028, mantendo a graduação profissional como principal critério de ordenação.l
Entre as restantes medidas apresentadas estão o reforço da formação de professores, com bolsas para estudantes de licenciaturas em Educação Básica e mestrados em Ensino, e contratos-programa com instituições de ensino superior. O Ministério prevê mais de 25 mil vagas contratualizadas até 2029/2030 e indicou existirem cerca de 1.500 docentes vinculados com habilitação própria através dos concursos externos extraordinários.
A identificação dos grupos de recrutamento com maior carência no Alentejo coloca, assim, a região entre os territórios abrangidos pelas necessidades de renovação e contratação de professores analisadas pelo Ministério no âmbito da apresentação do Education at a Glance 2026.
















