O Alentejo registou 715 incêndios rurais em 2025, correspondentes a 9% das ocorrências verificadas em Portugal continental. Os fogos consumiram 9.171 hectares na região, cerca de 3% da área ardida nacional, segundo o Relatório de Atividades do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR).
Os dados mostram que o Alentejo apresentou um número de ocorrências inferior ao das regiões Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo. No entanto, o relatório alerta para as características do regime de fogo no interior alentejano, onde os incêndios são menos frequentes, mas podem propagar-se por áreas mais extensas.
Alentejo representou 9% dos incêndios nacionais
Em 2025 foram contabilizados 8.252 incêndios rurais em Portugal, o terceiro valor mais baixo desde 2001. No Alentejo ocorreram 715 incêndios, enquanto o Norte registou 4.210, o Centro 2.022, Lisboa e Vale do Tejo 1.063 e o Algarve 242.
A região alentejana concentrou, assim, 9% das ocorrências nacionais. O relatório relaciona as diferenças territoriais com as características biofísicas e socioeconómicas de cada região, incluindo a ocupação do solo, a continuidade da vegetação, a estrutura da propriedade e a utilização do fogo nas atividades agrícolas e florestais.
Apesar da menor frequência de ignições, o documento identifica o Alentejo interior como um território onde os incêndios podem alcançar maior dimensão. Esta característica distingue a região de outras zonas do país onde existe uma concentração superior de ocorrências, mas nem sempre com a mesma capacidade de propagação.
Incêndios consumiram 9.171 hectares na região
Os incêndios rurais atingiram 9.171 hectares no Alentejo durante o ano passado, o equivalente a 3% dos 270.695 hectares ardidos no país.
A região Centro concentrou 197.935 hectares, correspondentes a 73% da área ardida nacional, seguindo-se o Norte, com 60.541 hectares. No Algarve arderam 2.205 hectares e em Lisboa e Vale do Tejo 843 hectares.
Embora o peso do Alentejo no total da área ardida tenha sido limitado, o relatório considera necessário aplicar medidas de gestão territorial adaptadas aos diferentes regimes de fogo. No caso do interior alentejano, a menor frequência de incêndios não elimina o risco de ocorrências com maior extensão.
Planeamento municipal ainda não abrange toda a região
O relatório indica também que 44 dos 47 municípios abrangidos pela região Alentejo tinham constituído comissões municipais do SGIFR no final de 2025.
Estas estruturas acompanham a elaboração e execução dos instrumentos municipais de prevenção, planeamento e gestão do risco de incêndio rural. Permaneciam, contudo, três municípios sem comissão constituída.
O documento assinala ainda diferenças entre regiões e municípios quanto à maturidade e operacionalização dos Programas Municipais de Execução, instrumentos destinados a concretizar no território as medidas previstas no sistema nacional.
Menos incêndios, mas maior concentração da área ardida
A nível nacional, o número de incêndios rurais registou uma redução de 16% em relação à média do período entre 2018 e 2024 e de cerca de 65% face à média verificada entre 2001 e 2017.
Em sentido contrário, a área ardida atingiu o valor mais elevado desde 2017. Cerca de 91% da área afetada resultou de apenas 44 incêndios com dimensão igual ou superior a 500 hectares.
O relatório conclui que o principal problema deixou de estar apenas associado ao número de ignições, concentrando-se na capacidade de algumas ocorrências evoluírem para incêndios de grande dimensão. A prevenção, a gestão de combustíveis e a adaptação dos territórios rurais são apontadas como áreas prioritárias até 2030.




















