“Além Risco é um laboratório” que compromete-se a plantar 50 mil árvores no Alentejo, disse Miguel Araújo

Este domingo, assinalou-se em Évora o Dia Mundial da Árvore e da Floresta com a apresentação do projeto “Além Risco”.

Um projeto que pretende combater as consequências nefastas das alterações climáticas e através do envolvimento dos cidadãos de 14 municípios do Alentejo Central na plantação de 50 mil árvores, na sua maioria autóctones, nos aglomerados urbanos deste território.

Promovido pela Science Retreats e financiado pelos EEA Grants, pela Fundação Calouste Gulbenkian e Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central.

Na cerimónia de apresentação deste projeto esteve o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, Secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, João Catarino, o presidente da Câmara Municipal de Évora e presidente da CIMAC, Carlos Pinto de Sá, o responsável do projeto, Miguel Bastos Araújo, entre outras entidades locais e regionais.

Em declarações à imprensa, o responsável da Science Retreats, Miguel Bastos Araújo, galardoado em 2018 com o Prémio Pessoa, explicou que o projeto conta com um financiamento inicial de 200 mil euros, dos quais 170 mil euros através do programa EEA Grants e o restante da CIMAC.

“O projeto chama-se “Alem Risco”, de Alentejo e de Além do Risco, e visa encontrar soluções baseadas na natureza para facilitar a adaptação às alterações climáticas dos povoamentos urbanos do Alentejo Central”, explicou o biogeógrafo e investigador da Universidade de Évora.

Miguel Araújo indicou também que “temos um compromisso de plantação de 50 mil árvores em ambiente urbano nos 14 municípios do Alentejo Central e não só plantar, mas de encontrar soluções para que elas possam sobreviver num contexto de muito calor como é o do Alentejo”.

Questionado se este projeto seria um laboratório que se poderia expandir a outras regiões do país, Miguel Araújo disse que “muitas das técnicas que estamos a testar, vão ser testadas pela primeira vez no Alentejo e penso que são técnicas para aplicar no resto do país. O projeto Alem Risco é um laboratório, por um lado queremos ter um impacto, plantar árvores, mas também é um investimento para demonstrar o que se pode fazer”.

Com este projeto “vamos apostar em espécies autóctones porque são mais resistentes e mais amigas da biodiversidade, mas também vamos utilizar muitas espécies naturalizadas, pois a oliveira não é de cá, o cipreste não é de cá, a romãzeira não é de cá, a alfarrobeira não é de cá, são tudo espécies do Médio Oriente e vamos explorar algumas soluções com espécies Norte Africanas, mas que pertencem região biogeográfica de Portugal, portanto do Mediterrâneo, mas que estão no fundo num clima mais árido”, explicou ainda Miguel Araújo.

O responsável concluiu referindo que “este projeto é um grão de areia à escala dos problemas que nós temos, mas temos de começar por algum lado e começamos pelo grão de areia, mas não é tão simples quanto isso, pois não vamos só plantar árvores, nós vamos desenvolver técnicas que permitam melhorar a resistência e resiliência dos parques que venham a ser construídos.”

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