Alandroal: Apresentado o projeto que quer plantar milhares de árvores, mas “não de forma aleatória”, diz o Autarca

Alem risco alandroal

O Jardim de São Pedro, em Alandroal, recebeu, esta quinta-feira, a apresentação de forma mais concreta do Projeto Além Risco.

Neste ato, estiveram presentes João Maria Grilo, presidente da Câmara de Alandroal, João Balsante, Vice-Presidente da autarquia, Fernando Moital, representante deste projeto, entre outros convidados.

Após finalizada a apresentação, foram oferecidas dezenas de árvores aos presentes, para que sejam plantadas e assim dar continuidade a este projeto.

Recorde-se que projeto Além Risco pretende reforçar a capacidade de adaptação das populações locais do Alentejo Central ao efeito das ondas de calor na saúde pública e pretende envolver as autarquias e os cidadãos na plantação de 50 mil árvores.

Em declarações a’ODigital.pt, João Maria Grilo, presidente da Câmara de Alandroal começou por destacar o fato de o Alandroal ter “sido o primeiro município a aderir ao projeto, porque já procurávamos uma forma de operacionalizar este tipo de intervenção no território”, salientando que “estamos todos cada vez mais sensibilizados para a necessidade de intervir e de combater a inevitabilidade das alterações climáticas”, pois “os nossos territórios, ao contrário do que se possa pensar, também estão muito sensíveis e são muito sujeitos a ser afetados e isso obriga-nos a atuar.”

João Grilo vincou que “essa atuação obriga-nos a pensar que sem o envolvimento da população teremos sempre uma ação limitada, portanto, há uma componente do projeto que é municipal, de intervir nos nossos próprios espaços, mas que precisa também do envolvimento da população para cada um na sua casa, no seu quintal, no seu espaço, desempenhar o seu papel neste processo“.

Adianta o Autarca que “numa fase inicial 5 mil arvores para plantar, mas mil serão distribuídas às pessoas”, referindo ainda que “não vai ser uma plantação nem aleatória, nem ao acaso, vai ser feita de modo a valorizar espaços que já temos e a torná-los mais atrativos e mais acolhedores para as pessoas poderem também tirar partido deles“.

Explica ainda o edil que “só no Alandroal, nós podemos criar um circuito muito grande, com uma grande intervenção, que ao longo do tempo se torne mais acolhedor e leve as pessoas a tirar partido desse espaço para passear, para fazer exercício ou simplesmente só para conhecer um pouco melhor. É esta ideia que no fundo nos motiva, ir sempre tendo espaços para intervir, a ideia é levar o projeto por todo o concelho e depois destas 5 mil árvores teremos que continuar e encontrar formas de nunca parar neste processo“.

Questionado se este projeto no Alandroal seria “uma história que nunca acaba”, João Grilo deixou claro que “tudo o que faz sentido ser feito, faz sentido ser bem feito e ser feito ao longo do tempo, pois, não se pode pensar em ações pontuais à procura do momento, à procura de resultados imediatos, porque tudo aquilo que é preciso ser feito no território tem de ser feito em profundidade e ao longo do tempo, e nós hoje não trabalhamos a pensar no curto prazo”.

Falámos ainda com Fernando Moital, do projeto Além Risco, que começou por explicar que “é um projeto que tem a duração de dois anos, tem um âmbito geográfico dos 14 concelhos do distrito de Évora e tem como objetivo promover as ilhas de sombra, ou seja, a nossa proposta para combater as alterações climáticas é fazer ilhas de sombra com árvores”, sendo que, há o “propósito plantar e fazer plantar 50 mil árvores ao longo destes 2 anos”.

Questionado sobre como vão ser monitoradas todas as árvores após o términus do projeto, daqui a dois anos, Fernando Moital referiu que “a melhor monotorização possível é continuar a apresentar novos projetos ao fim destes dois anos, nós ou outras entidades, ou seja, queremos que este projeto seja pioneiro e inspirador para outros projetos paralelos na região Alentejo e no país.”

O responsável salientou que “precisamos muito que as pessoas olhem para as árvores de forma diferente, ou seja, é preciso ganharmos mão e coração verde, é preciso gostarmos delas e percebermos a sua importância”, acrescentando que “podemos todos ter este desígnio de adotar as nossas árvores e não nos lembrarmos delas apenas quando temos o carro com calor e queremos colocá-lo debaixo da sombra, portanto, cuidar das árvores e lembrarmos delas tem de ser todo o ano.”

Já sobre a adesão dos municípios do Alentejo Central a este projeto, Fernando Moital adiantou que “ainda tempos alguns que falta integrar, obviamente que há várias velocidades, porque o nosso projeto é muito ambicioso, que é querer que 14 municípios arranquem quase ao mesmo tempo e para já, de forma concreta o Alandroal já arrancou e estamos em negociações avançadas com mais quase 4 ou 5 municípios.”

Recorde-se que este projeto pode ser acompanhado através do site www.alemrisco.org.

Fique com as imagens desta apresentação numa reportagem de Hugo Calado e Joana Cardoso: