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Água, tecnologia e agricultura: o que está em causa na estratégia do regadio português para 2026

O Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR) colocou a digitalização do regadio, a execução da estratégia nacional para a água e a adaptação às alterações climáticas no centro da sua agenda para 2026.

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O Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR) colocou a digitalização do regadio, a execução da estratégia nacional para a água e a adaptação às alterações climáticas no centro da sua agenda para 2026. A instituição, sediada em Beja, considera que estes fatores serão determinantes para a competitividade da agricultura portuguesa, num contexto de pressão crescente sobre os recursos hídricos.

De acordo com dados divulgados pelo COTR, mais de metade das explorações agrícolas dependem da água e o regadio é responsável por cerca de 60% da produção agrícola nacional. Em Portugal existem 633.101 hectares equipados para regadio, num total de 3,7 milhões de hectares de superfície agrícola utilizável.

Digitalização do regadio na agenda tecnológica

O COTR pretende promover a digitalização do regadio através da divulgação e demonstração de tecnologias de monitorização, sensorização e ferramentas de apoio à decisão para gestão da água na agricultura.

A entidade prepara também o lançamento, ainda este ano, de um projeto internacional orientado para a incorporação tecnológica na gestão da rega.

O presidente do COTR, Gonçalo Morais Tristão, afirma que «a digitalização é hoje o principal vetor de transformação do regadio e uma peça-chave da agricultura nos nossos dias». Segundo o responsável, trata-se da integração de sistemas de monitorização, tratamento de dados e ferramentas de apoio à decisão que permitem otimizar o uso da água e da energia.

«O objetivo é inequívoco: aumentar a produtividade, reduzir custos operacionais e reforçar a resiliência das explorações agrícolas», acrescenta.

No âmbito desta estratégia, o COTR promove no dia 20 de março, na Quinta da Saúde, em Beja, o Open Innovation Forum – Ferramentas Digitais para a Gestão da Rega, iniciativa integrada no projeto internacional Smart Green Water, do qual a instituição é parceira.

Execução da estratégia “Água que Une”

O COTR defende também a concretização da estratégia nacional “Água que Une”, considerando que a sua implementação será determinante para o setor agrícola, sobretudo ao nível da reabilitação e modernização dos aproveitamentos hidroagrícolas, barragens e infraestruturas hidráulicas.

A instituição sustenta que a execução da estratégia deverá assentar num modelo de governação que inclua os utilizadores da água.

«O sucesso da estratégia exige um modelo de governação onde os utilizadores da água tenham uma palavra decisiva», afirma Gonçalo Morais Tristão, acrescentando que a água será «cada vez mais o fator crítico da competitividade da agricultura».

Variabilidade climática reforça necessidade de investimento

A variabilidade climática constitui outro dos fatores que condicionam a agenda do setor em 2026. Segundo o COTR, episódios recentes de cheias e situações de calamidade em vários pontos do país demonstram a necessidade de acelerar investimentos em infraestruturas e sistemas de gestão hídrica.

«Os episódios extremos que vivemos demonstram que a estratégia Água que Une tem de sair do papel», refere o presidente do COTR, defendendo a criação de novas infraestruturas e a modernização das existentes.

O responsável sublinha ainda que «cada mês de atraso tem um custo económico acrescido para o país e põe em risco populações e territórios».

Renovação geracional ligada à segurança no acesso à água

O COTR associa também a atratividade do setor agrícola à previsibilidade no acesso à água e à estabilidade regulatória. A entidade considera que a segurança no abastecimento e a incorporação de tecnologia são fatores importantes para atrair investimento e promover a renovação geracional na agricultura.

«Sem previsibilidade hídrica e enquadramento regulatório estável, é difícil atrair jovens agricultores ou justificar investimento de médio e longo prazo», refere Gonçalo Morais Tristão.

Congresso nacional de rega em setembro

Entre as iniciativas previstas para este ano está o XI Congresso Nacional de Rega e Drenagem, organizado pelo COTR, que decorrerá entre 30 de setembro e 2 de outubro, em Beja. O evento deverá reunir produtores, decisores políticos, investigadores e empresas tecnológicas para discutir tendências e desafios do setor.

Paralelamente, a instituição prepara o lançamento de uma plataforma de experimentação e validação de tecnologias de rega em contexto de exploração agrícola, com foco na eficiência hídrica e na mitigação dos impactos das alterações climáticas.

O COTR encontra-se também a ajustar a sua estrutura organizacional, com o reforço de competências técnicas orientadas para a transição digital e para a gestão sustentável da água.

Num contexto em que o debate sobre os recursos hídricos assume maior relevância na agenda económica nacional, a instituição considera que a competitividade do regadio em Portugal dependerá da articulação entre digitalização, investimento em infraestruturas e governação dos recursos hídricos.

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