Agricultores do Baixo Alentejo dizem que Reitor da Universidade de Coimbra está a “colocar em causa princípios de rigor científico”

Após o anúncio feito pelo Reitor da Universidade de Coimbra que deu conta da proibição, a partir de janeiro, da existência de carne de vaca nas cantinas da academia, várias foram as reacções por parte do sector agricultura e até mesmo do Ministro da Agricultura, como já hoje noticiamos.

Chega-nos agora a reacção da Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo, que nos comunicado enviado às redações, começa por dizer que “o Homem é um animal racional. Um homem, ou uma mulher, com responsabilidades políticas ou académicas, entre outras, é um cidadão comprometido com questões éticas. Declarações infundadas, precipitadas, sensacionalistas, com promoção de inverdades, só porque caem bem na opinião pública são, no mínimo, escandalosas. Para não dizermos puníveis.”

É, por isso, com profunda indignação que a FAABA, Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo, reage às declarações do reitor da Universidade de Coimbra, na abertura de mais um ciclo académico perante os seus alunos, e perante os cidadãos, cada vez mais incrédulos do nosso país. A carne de vaca será substituída “por outros nutrientes que irão ser estudados, mas que será também uma forma de diminuir aquela que é a fonte de maior produção de CO2 que existe ao nível da produção de carne animal”. Tais declarações, apresentadas de forma descontextualizada, configuram-se enganosas”, acrescenta a Federação.

Os Agricultores do Baixo Alentejo reconhecem a “emissão de gases de efeito de estufa (GEE) por parte dos bovinos, também importa salientar que os sistemas de produção desta espécie, associados ao pastoreio, contribuem de forma muito  positiva para o sequestro de dióxido de carbono e para o aumento da matéria orgânica e fertilidade dos solos.”

A critica feita pelos Agricultores Alentejanos é forte, quando dizem que é “muito grave, que o representante da Universidade de Coimbra veicule alarmismo, possa colocar em causa princípios de rigor científico e proferir afirmações sem sustentação objetiva. A informação descontextualizada, por parte de uma instituição universitária está a ensinar o quê? O Fundamentalismo? A imprecisão? Ou pode ter uma leitura de imposição em vez do estímulo ao aprofundar do conhecimento?”

A Federação refere também que “a emergência climática é uma questão científica mas é também política. E pode tornar-se uma emergência social se não forem criados mecanismos que combatam a falácia e a desinformação. Há estudos de universidades europeias que já fazem referência negativa aos efeitos globais de uma alimentação puramente vegetal, nomeadamente às suas nefastas consequências mundiais a nível económico, ambiental e nutricional.”

A FAABA defende por isso, honestidade intelectual. Trabalho conjunto. Empenho político que valorize as boas práticas dos agricultores porque estes são os principais interessados e  estão na linha da frente no combate às alterações climáticas.

Lamentamos profundamente as afirmações do reitor da Universidade de Coimbra, bem como as declarações públicas nesta quarta-feira, do Primeiro-Ministro de Portugal sobre a abolição da carne nas refeições oficiais do Governo”, concluem os Agricultores do Baixo Alentejo.