O Dia de São Martinho, celebrado a 11 de novembro, marca oficialmente a abertura das talhas no Alentejo. A data mantém viva uma tradição ancestral que continua a ser cumprida com rigor em toda a região.
Luís Sequeira, presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), sublinha que esta celebração representa um momento de identidade coletiva e de respeito pelas origens. «É uma tradição milenar que, no caso dos vinhos do Alentejo, se pauta por um rigor grande. Só é permitida a abertura das talhas no dia 11 e, por isso, este é um dia tão importante e que, em todo o Alentejo, se celebra de forma única», afirma.
A tradição mantém-se viva nas adegas e nas comunidades. «No Alentejo, cumpre-se a rigor, não apenas nos vinhos de talha, mas em tudo o que esteja relacionado com o vinho e a vinha», reforça o responsável da CVRA.
Além do simbolismo da data, o momento é também de avaliação e de partilha. «As expectativas são sempre as melhores, porque podemos ter uma noção da qualidade do vinho que será depois comercializado», explica Luís Sequeira.
O presidente da CVRA salienta ainda o valor cultural e social da celebração. «É um fenómeno cultural, como o vinho sempre foi, é e será. É uma forma de as famílias e os amigos se juntarem em torno de uma mesa e celebrarem a vida com o vinho e com a gastronomia», refere.
O vinho de talha, reconhecido como património imaterial nacional, volta assim a reunir comunidades e visitantes em torno de uma das mais emblemáticas tradições do Alentejo, que combina o saber ancestral da vinificação com a celebração da amizade e da partilha.


















