Abertura da Lagoa de Santo André ao mar deverá ocorrer em Junho, assegura o Ministério do Ambiente

Nos últimos dias vieram a publico algumas noticias sobre a não abertura ao mar da Lagoa de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, tendo mesmo o autarca local vindo a público mostrar o seu desagrado com a situação.

Esta quarta-feira, o Ministério do Ambiente e Acção Climática veio a publico prestar alguns esclarecimentos sobre a impossibilidade de abertura da Lagoa de Santo André, que deveria ter acontecido no mês de Março.

O Governo começa por salientar que, a abertura ao mar da lagoa “pretende assegurar vários objectivos, designadamente a melhoria da qualidade da água e a entrada de alevins de diversas espécies marinhas, como o robalo, e também de enguia (meixão), assim como a saída de enguias prateadas que se deslocam para o Mar dos Sargaços para se reproduzirem”.

“Fruto de diversos constrangimentos conhecidos, designadamente decorrentes da pandemia de COVID 19, a abertura anual prevista da lagoa não reuniu condições para se realizar na data regularmente convencionada para o efeito”, esclarece o ministério tutelado por João Pedro Matos Fernandes.

De acordo com a informação agora veiculada, “pela entrada na primavera, as espécies de aves que ocorrem na Lagoa iniciaram o seu período de nidificação e reprodução, tendo já sido identificados pelo menos 60 ninhos de espécies de aves dependentes do plano de água”, ninhos que com a abertura tardia da lagoa fica “a seco e ao alcance de predadores”.

Segundo o Ministério, ficando os ninhos a seco e ao alcance dos predadores “causaria prejuízos irreparáveis para as aves selvagens que ocorrem naquele espaço natural, promovendo a alteração significativa do habitat de suporte á sua reprodução, o que contraria a legislação nacional e comunitária em vigor, pelo não se mostrava possível a sua realização”, nesse sentido “foi acordado entre o ICNF e a APA que se promoverá a abertura da Lagoa logo que tal acção não prejudique significativamente o processo reprodutivo das aves selvagens, o que se prevê ocorrer em função da maré, na primeira quinzena de Junho”.