“A IP não tem tido um comportamento à altura de trazer informada toda a população”, diz líder do PS de Vila Viçosa

Como temos vindo a acompanhar, alegando falta de segurança, a empresa Infraestruturas de Portugal encerrou o troço da Estrada Nacional 254, que liga Vila Viçosa a Bencatel e condicionou a circulação na Estrada Nacional 255, no troço que liga Vila Viçosa a Pardais.

Nos últimos dias houve várias reações do Poder Político local, bem como da população que já se manifestou por duas vezes. Este sábado ODigital.pt foi contatado por Francisco Chagas, Vereador sem pelouros da Câmara Municipal de Vila Viçosa, eleito pelo PS a fim, também, de reagir a esta situação que diz ser “muito prejudicial para a economia local”.

Francisco Chagas começa por dizer que “os Vereadores do Partido Socialista apenas tiveram conhecimento da realidade, na última reunião de câmara de quarta feira, em que nos foi entregue um documento proveniente das Infraestruturas de Portugal, onde constava o encerramento da via que liga Vila Viçosa a Bencatel e do condicionamento do trânsito da via que Vila Viçosa a Pardais”. Mas questionado sobre o facto deste assunto já ter sido falado numa das últimas Assembleias Municipal, Francisco Chagas refere que “é certo, mas nessa altura o Senhor Presidente da Câmara disse que já tinham existido algumas reuniões e que dessas reuniões iriam ser lavradas atas e que essas iriam depois ser disponibilizadas à vereação, o que efetivamente até ao dia de hoje isso não aconteceu”.

“Esta semana [na última reunião de câmara] é que recebemos um documento proveniente da IP, onde se refere a situação que já todos conhecemos”, salienta o também líder da Concelhia do PS, que acrescenta “após analisarmos toda a situação, não nos agradou a maneira como tudo estava a ser conduzido, pois o que estava a ser descrito, e que estava a ser combinado com o proprietário da pedreira, era a criação de um desvio nos terrenos do proprietário da pedreira e que isso iria levar a uma alteração do PDM, ou seja, já não era um desvio era uma alteração de via definitiva e ai efetivamente não concordamos”.

Questionamos ainda Francisco Chagas sobre se entendia ou não que a empresa pública Infraestruturas de Portugal estaria alegadamente a esconder algum tipo de informação e como reagia a este encerramento repentino, tendo dito que “aí estou plenamente de acordo, a IP não tem tido um comportamento à altura de trazer informada toda a população e atores económicos que vai ser afetada em ambas as vias, quanto aos decisores políticos já não posso dizer se sim ou se não, porque nós desconhecemos o conteúdo das reuniões que existiram entre a Câmara Municipal e a IP”.

Quando instado a comentar uma possível e alegada pressão da Infraestruturas de Portugal para que as estradas fossem municipalizadas e assim desresponsabilizar-se de qualquer problema que possa ocorrer no futuro, Francisco Chagas afirma que “poderá ser uma das hipóteses, mas até agora isso não foi falado, até porque como se sabe a Câmara Municipal aceitou municipalizar o troço entre Bencatel e a fronteira do município com o Redondo, mas sei que esse processo ainda não está concluído, porque há necessidade de uma autorização do Secretário de Estado, mas se o objetivo da IP é esse, não é esta a melhor metodologia”.

O líder do PS local vai mais longe e aponta o dedo à Infraestruturas de Portugal, afirmando que “há dois anos que estão sinalizadas algumas situações no concelho de Vila Viçosa e até hoje nada foi feito, ou melhor, foi ontem encerrada a estrada”, acrescentando que “não tenho dúvida nenhuma que a IP ao longo destes 2 anos colocou a população em perigo, a ser verdade que existe esse perigo que dizem, ou seja, a entidade competente não teve capacidade para fazer cumprir essas normas de segurança que dizem”.

Já sobre o alegado acordo entre a Câmara de Vila Viçosa e o proprietário da pedreira para a criação de uma alternativa, Francisco Chagas refere que “não concordamos com o atual caminho criado, nem com um futuro caminho sem que haja um projeto para a sua construção e depois somo também contra a alteração do PMD para a legalização do atual caminho, a isso dizemos que não”.

O político socialista diz que “há qualquer coisa que não está aqui a jogar bem, e por isso elaboramos um processo e enviamos para os Deputados do PS na Assembleia da República, que pretendem vir ao local inteirar-se de toda a situação. Mas posso adiantar que o processo vai ter andamento na segunda-feira, pois o processo já está em cima da mesa do Ministro das Infraestruturas, ou seja, uma mesa concelhia do PS já conseguiu chegar às mais altas entidades para ver se resolvemos o problema”.

Perante estas declarações, questionamos Francisco Chagas se o Governo estaria a agir de maneira diferente tendo em conta a força partidária que lidera a Câmara não ser a mesma, tendo respondido que “não colocaria isso nesses termos, não é por o Governo ser de um partido e a Câmara de Vila Viçosa ser de outro que esta situação anda mais depressa ou mais devagar, penso que aqui não vamos conotar a situação com a cor politica, mas sim com a vontade e espirito de resolução dos problemas do concelho”

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