“A Infraestruturas de Portugal conseguiu criar uma ilha no Alentejo”, diz Presidente da Junta de Bencatel

José Cardoso

Como já noticiámos, a empresa Infraestruturas de Portugal encerrou, esta sexta-feira, a Estrada Nacional 254, no troço que liga as localidades de Vila Viçosa e Bencatel, alegando motivos de segurança.

Um encerramento que tem indignado a população de Bencatel, pois fica impossibilitada de ter uma ligação direta à sede do concelho e para o fazer terá de utilizar estradas municipais ou estradas nacionais, tendo sempre que sair do concelho e assim percorrer mais do dobro da distância.

“A Infraestruturas de Portugal conseguiu criar uma ilha no Alentejo”

Esta manhã, ODigital falou com o presidente da Junta de Freguesia de Bencatel, José Cardoso, que começou por dizer que “a Infraestruturas de Portugal conseguiu fazer aquilo que o senhor Primeiro Ministro não conseguiu, que foi isolar-nos, não profilaticamente, mas em termos globais e já nos próximos fins de semana, pois com a proibição de circulação entre concelhos e a única estrada que nos ligava ao resto do concelho foi agora encerrada, ou seja, se tivermos qualquer problema ou algum assunto para resolver na sede concelho não o podemos fazer, porque as outras vias que temos vão ter aos concelhos limítrofes”.

O Autarca afirma mesmo que “a Infraestruturas de Portugal conseguiu criar uma ilha no meio do Alentejo”, acrescentando que “lamentamos esta situação porque a empresa poderia ter em atenção estas situações, pois num tempo de pandemia se uma ambulância tiver de vir prestar socorro à freguesia, a partir de hoje, em vez de demorar menos de 5 minutos, vai demorar 25 minutos”.

José Cardoso refere que “estão a privar a população de Bencatel de bens públicos, serviços públicos e vejamos o exemplo dos transportes públicos que vão ter de fazer um desvio enorme e, provavelmente, algumas dessas carreiras até vão terminar, ou seja, com este encerramento, a população de Bencatel sai prejudicada social e economicamente… é revoltante e eu próprio quero mostrar a minha revolta”.

Tiveram dois anos após a queda da estrada de Borba as Infraestruturas de Portugal sabendo do risco que corria toda a população”

Questionado sobre quando teve conhecimento do encerramento da estrada, José Cardoso explicou que “a primeira vez que tive conhecimento que ali ia ser encerrada foi no início de dezembro, em que fui convidado pelo Presidente da Câmara para participar numa reunião em que as Infraestruturas de Portugal pura e simplesmente veio  comunicar que ia encerrar a estrada e eu próprio questionei-os sobre a construção de uma alternativa, porque não se podia pensar só no encerramento da estrada porque isso iria provocar um tremendo isolamento da população e as Infraestruturas de Portugal não tinham qualquer alternativa”, referindo que “aí reside a minha revolta é que tiveram dois anos após a queda da estrada de Borba as Infraestruturas de Portugal sabendo do risco que corria toda a população por aqui transita diariamente, não teve o mínimo cuidado de primeiro arranjar a alternativa e agora sim encerrar a estrada, porque nós não estamos contra o encerramento da estrada nós estamos contra o encerramento da estrada sem a construção de uma alternativa segura para toda a população.”

O Presidente da Junta de Bencatel diz que, “desde a reunião de dezembro, não houve mais nenhum contacto, apenas ontem recebemos um e-mail a dizer que ia ser um fato consumando o encerramento da estrada. Nós nunca fomos vistos nem achados, nem nunca nos perguntar se tínhamos alguma alternativa para apresentar, nada! Esta Junta que representa cerca de 2 mil habitantes foi completamente ignorada”.

“A estrada encontra-se à mesma distância da pedreira que se encontrava há dois anos atrás”

Já sobre o que leva a Infraestruturas de Portugal a encerra a estrada, José Cardoso diz que “a única coisa que a empresa alega, no e-mail que ontem nos enviou, é que o encerramento é por questões de segurança, ora a estrada encontra-se à mesma distância da pedreira que se encontrava há dois anos atrás, portanto se esse perigo existia, a Infraestruturas de Portugal foi permitindo que as pessoas passassem aqui de forma perigosa”.

Nós já tentámos reunir várias vezes com a Infraestruturas de Portugal, mas sempre sem sucesso. Já reunimos com a Câmara Municipal de Vila Viçosa que já está a estudar algumas alternativas, mas mesmo assim todas elas passam pela IP”, referiu ainda o Autarca.

Penso que não devemos ir votar

José Cardoso vai mais longe apela, “em nome pessoal a toda a população para que no dia 24 de janeiro, uma vez que as instituições públicas não respeitam a população, e para mostrarmos que estamos revoltados pela postura dessas instituições, não vá participar na votação, eu próprio declaro aqui que não irei votar, as mesas irão estar abertas, mas eu como forma de contestação à situação e à forma como a população foi tratada pelas Infraestruturas de Portugal e por todas as entidades públicas a quem foi procurada resposta, penso que não devemos ir votar”.